domingo, 31 de janeiro de 2016

Experiência com o quarto montessoriano

Quando Maria Cecília estava com uns sete meses resolvi fazer umas mudanças no quarto dela. Pesquisando na internet encontrei ideias sobre o quarto montessoriano. 

Eu já havia estudado na faculdade sobre a educadora e médica italiana Maria Montessori. Segundo o método montessoriano, a criança já nasce com a capacidade de aprender sozinha. Naturalmente ela explora, investiga e pesquisa, por isso devemos proporcionar um ambiente adequado para estimular a autonomia e liberdade no processo de desenvolvimento das crianças. 
Foi uma novidade para mim a ideia de aplicar essa metodologia desde cedo, começando pelo quarto dos bebês.
Achei interessante e resolvi experimentar. Aqui relato para vocês como esta sendo essa experiência de quase um ano.
De acordo com Maria Montessori o ambiente precisa ser preparado e construído para a criança, portanto no quarto tudo precisa estar ao alcance dos pequenos. 

A cama precisa ficar no chão a fim de que eles estejam livres para explorar e descobrir o espaço, o que estimula a percepção motora e espacial. Quando mudei o quarto dela ainda morávamos no Brasil. A Maria Cecília havia acabado de aprender a sentar. No começo ela saía muito do colchão durante o sono, aos poucos foi aprendendo e se situando no espaço de dormir, depois adequei a cama que era aberta na entrada e com umas grades baixas nas laterais.


                                    

Logo ela começou a engatinhar, aí tive que tomar o máximo de cuidado para que o ambiente estivesse totalmente seguro, porque ela ficava solta pelo quarto. Muitas vezes acordei de manhã com ela brincando sozinha com seus brinquedos ou no meu quarto pedindo para mamar (eu nem precisava levantar)

As grades que coloquei na cama substituíram a barra na parede sugerida no método montessoriano, que estimula a criança a começar a levantar sozinha e arriscar o andar.




Ainda segundo o método os brinquedos e livros devem ficar em prateleiras baixas sempre ao alcance da criança. Optei por deixar os brinquedos no chão e montei um cantinho da leitura dentro de uma cabana. Como disse, ela sempre teve a liberdade de explorar os seus brinquedos e muitas vezes eu nem precisava estimular e quando nos mudamos continuei aplicando essa ideia. Além do quarto dela montei em outra sala um espaço para ela brincar com um tapete de EVA no chão, pois ela estava começando a andar.






Outro detalhe interessante no quarto montessoriano é o uso do espelho. Acredito que esse recurso seja um grande aliado para o desenvolvimento das crianças. Ao explora-lo a criança aprende com seus movimentos e começa desde cedo a se reconhecer. 



O que eu senti de diferente no desenvolvimento dela aplicando esse método?

A Maria Cecília é uma criança muito sociável. Quando estamos em um espaço diferente, fora de casa, que pode explorar livremente ela brinca, interage e se diverte. Muitas vezes percebo crianças grudadas nas mamães com receio de brincar. 
Ela não se intimida. Nas aulas de músicas e na biblioteca ela brinca, participa e ajuda na organização. A metodologia contribuiu para que ela desenvolvesse o processo de aprender a engatinhar e andar no seu tempo.
Percebi que assim eu respeitei o momento dela de aprendizado, senti ela livre e autónoma para dar os seus primeiros passinhos, sem pressão. 
O mais importante de tudo isso é que proporcionando um ambiente adequado para a criança da sua idade, posso fazer com que ela cresça descobrindo sobre os limites de quando pode ou não interagir com algum objeto e além disso aprende a cada dia com ela mesma.
Mas nem tudo são flores, temos que ter muita paciência com a bagunça. Lógico que o quarto dela não fica 24 horas arrumadinho, mas aí vem mais um aprendizado, ensinar a criança que a toda a brincadeira acaba e o espaço precisa estar em ordem para começarmos tudo de novo em outro momento e esse processo ela está começando a entender.
Se você optar em aplicar essa metodologia com seu filho, lembre-se que cada criança tem o seu tempo e personalidade. Pode ser que apareçam diferentes e interessantes descobertas. ;)








sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Uma aventura na cozinha

Nesta semana começamos uma nova experiência: Maria Cecília cozinhou pela primeira vez comigo.




Em uma das escolas que trabalhei os alunos tinham aulas de culinária uma vez por semana desde de um ano e meio de idade. Selecionávamos receitas simples e as crianças participavam ativamente do preparo. 

A experiência na cozinha pode começar cedo e trazer muito aprendizado. Primeiro porque a criança irá colocar em prática habilidades motoras simples e fundamentais no dia a dia. Desde como manusear uma colher até segurar um copo, ao explorar tamanho e formatos de diferentes utensílios ajudamos na conquista da organização e autonomia durante as refeições. 
Além disso, podemos estimular a oralidade ao nomear os objetos e alimentos, reforçar a importância da higiene nesse espaço e proporcionar a experimentação de diferentes alimentos incentivando uma alimentação mais saudável.

Para animar ainda mais a nossa aventura convidei um amigo dela para participar. Escolhi uma receita fácil e divertida: Pão de Queijo. 
Aqui nos Estados Unidos alguns ingredientes que temos no Brasil são difíceis de encontrar, mas minha mãe trouxe polvilho doce quando veio me visitar. Este tipo de receita é interessante porque as crianças adoram colocar a mão na massa. Além disso confesso que estava morrendo de vontade e saudades de um pãozinho de queijo!

Após lavarmos as mãos, com todos sentados à mesa, separei os ingredientes a serem utilizados nomeando um por um. As crianças ajudaram a acrescenta-los na receita, mexeram a massa com a colher e realizaram a melhor parte: fazer as bolinhas dos pãezinhos.




Nossa aventura foi tão bacana, que combinamos com a mãe do nosso amigo de nos reunirmos sempre para explorar outras receitas. Portanto, compartilharei em futuros posts receitas legais para vocês prepararem com as crianças em casa. E é claro que convidar um amigo fica muito mais divertido!

Segue a receita do pão de queijo:

Ingredientes

500g de polvilho (doce ou azedo)
100g de queijo parmesão ralado (eu usei ele ralado fresco)
1 copo de água morna (200ml)
1 copo de leite  (200ml)
1/2 xícara de óleo
2 ovos
sal a gosto 
farinha de trigo para dar liga na massa

Misture os líquidos e acrescente no povinho mexendo aos poucos, coloque os ovos, sal e queijo. Sove a massa com farinha até ela desgrudar das mãos. Faça bolinhas e coloque um uma forma untada ou forrada com papel manteiga. Asse por 40 min no forno pré aquecido a 180º.


Eles aprovaram ;)







domingo, 17 de janeiro de 2016

As Garatujas de Maria Cecília




Há alguns meses atrás, logo após a Maria Cecília completar um ano, estávamos na sala e ela apareceu com uma caneta tampada na mão. Tentou riscar o sofá e achei aquilo muito inesperado, pois ela nunca havia feito isso antes. 
Como ela sabia que a caneta era para riscar? Provavelmente de nos observar, mas também acredito que se expressar através do grafismo é um instinto natural do ser humano, estão aí as escritas e desenhos nas cavernas para comprovar.

Bom, eu como uma mãe pedagoga neurótica t
ratei de comprar muitos papéis e giz de cera para ela explorar o mais rápido possível.
Na primeira vez que abri o bloco de papel e entreguei o giz na mão dela, ela passou a riscá-lo como se já fizesse aquilo há muito tempo. Foi então que ela começou a criar suas primeiras garatujas, ou seja, os seus primeiros traços.





Depois disso, a Maria Cecília tem desenhado praticamente todos os dias. Organizei uma sacola com papeis e dentro de uma caixa um kit de giz de cera com várias cores e tamanhos. 
Para bebês e crianças menores o tipo de giz mais adequado são aqueles mais grossos, pois os pequenos seguram o material com maior firmeza e o traçado aparece mais forte. Para as crianças maiores, quanto mais variedade lhes for oferecido, mais amplas serão as descobertas. Aqui em casa, eu disponibilizo para ela algumas variedades:




O estilo de giz que aparece na segunda foto foi uma novidade para mim. Com ele, a criança encaixa o dedo para poder desenhar, mas não sei se pode ser encontrado no Brasil. O giz em formato de ovo esta disponível no Brasil e é uma boa alternativa para explorar com os pequenos.
Durante a atividade, estimulo para que ela explore ao máximo o espaço do papel e conforme vai pegando o giz eu digo a ela o nome das cores.
Quando percebo que o seu interesse pela atividade já acabou, peço para que ela me ajude a guardar todo o material, momento em que também pode aparecer outras descobertas: 





Mas por quê é importante o meu filho desenhar? 
Segue aqui um trecho da educadora e artista plástica Edith Derdyk sobre o assunto:


"Ao desenhar a criança amplia as possibilidades de olhar, observar e do próprio desenhar. Exprime o que conhece de um objeto, a representação mental que tem construída dele no momento em que desenha. O desenho é uma forma de comunicar, expressar e deixar marcas no mundo (...)Quanto mais oportunidades de desenhar forem dadas à criança, mais extensa será sua pesquisa gráfica para que desenvolva seu controle motor, e faça descobertas estéticas acerca de seu estilo pessoal e de sua capacidade de desenhar. A partir da exploração, do exercício, da ação e da pesquisa as crianças fazem suas conquistas gráficas. Sim, os pequenos pesquisam, experimentam TUDO à sua volta, inclusive as possibilidades de desenhar!"


Para adquirir tantas habilidades é fundamental que a criança desenhe livremente. Nós, pais podemos proporcionar momentos preciosos com essa experiência, participar com eles e desenhar junto, pois isso também faz com eles aprendam e ampliem seus traçados.



Essa atividade é de suma importância para o desenvolvimento cognitivo, criativo e motor da criança. Há muito assunto para discutir, por isso não ficarei apenas nesse post. Publicarei ainda muito mais sobre o tema.



Indicação de leitura: 

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: Desenvolvimento do Grafismo Infantil. São Paulo. Editora Scipione, 1989.






quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Os Pequenos Sucateiros

"O caminho do objeto até a criança e desta até o objeto passa por outra pessoa." (Vygotsky)


Levanta a mão qual mamãe já deu um presente para o seu bebê e ele brincou mais com a caixa do quê com o brinquedo?

Por quê será que eles gostam tanto de caixas, embalagens, panelas, potes, etc?

Nós somos observados o tempo inteiro por eles, enquanto manuseamos objetos do nosso dia a dia, que para nós não tem novidade nenhuma, para eles é uma verdadeira fascinação que remete a muitas descobertas.

Não são apenas embalagens, mas também chaves, celulares e controles remoto. Ao interagir com esses objetos, além de estimular a imaginação, a criança tem a possibilidade de reproduzir nossas ações o que a leva adquirir novas habilidades, estimula a coordenação motora, aprende noções espaciais, amplia a oralidade, entre outras. Uma simples caixa pode virar muita coisa.

Aqui em casa a Maria Cecília não tem acesso direto a cozinha, ela anda por lá apenas quando estou por perto. Quando entramos nesse espaço é uma festa. Dei um jeitinho de deixar nos armários que ficam ao alcance dela apenas utensílios que ela pode explorar sem se machucar, como potes, bacias de plásticos, panos de prato.
E além disso criei uma caixa com várias embalagens vazias para ela brincar enquanto estamos na cozinha, geralmente quando ela já comeu e eu ainda estou por lá fica brincando com esses materiais.



Sugestões de brincadeiras com sucatas de cozinha:

Empilhar as embalagens e derrubar
Alinha-las em um local um pouco mais alto para criança pegar
Rolar os potes e girar as garrafas
Fazer comidinha imaginária
Encaixar um pote ou caixa no outro



Lembre-se que tudo deve estar bem lavado e nunca disponibilize nenhuma embalagem com a qual a criança corra o risco de se cortar ou engolir. Quando necessário troque as embalagens mais danificadas por outras diferentes assim você proporciona sempre uma novidade.

Sugestões de brincadeiras com as caixas de papelão:

Brincar de passear como carro
Montar trens com várias caixas alinhadas
Brincar de esconder
Empilhar e derrubar
Montar cabanas e casinhas
                                 


     
Além disso podemos fazer essas embalagens virarem outros brinquedos, como chocalhos, bonecos, garrafas coloridas, bilboquê, e o que a sua imaginação permitir, mas essa é outra dica que ficará para um post futuro ;)


domingo, 10 de janeiro de 2016

A importância do brincar junto

Muitas das vezes em que a Maria Cecília brinca com seus brinquedos sozinha, percebo ela entediada, enjoada dos mesmo objetos. Nesses momentos, sento e brinco junto com ela, a partir daí a brincadeira ganha outro sentido.

No post anterior falei que nós pais somos os primeiros educadores dos nossos filhos. Quando brincamos junto com eles promovemos diferentes possibilidades de interação com os objetos, lançamos ideias e assim, a criança vai adquirir novas habilidades.

Brincar sozinho também é muito importante, pois é nessa hora que a criança coloca em prática tudo o que vem aprendendo, mas ao compartilhar esses momentos com um adulto ou outras crianças ela amplia o seu aprendizado.

Por exemplo, logo que chegamos aqui fiquei pensando em alternativas para entretê-la dentro de casa quando o inverno chegasse. Tratei de arrumar diferentes materiais para ela explorar, um deles foi a massinha.

Mas será que um bebê de um ano e meio sabe brincar com a massinha? Certamente, a primeira coisa que eles irão fazer é colocar na boca. Eles estão passando pela chamada fase oral, tudo que é diferente e novidade é levado à boca. A massinha é atoxica e não faz mal nenhum ser levada à boca, mas o ideal é que você brinque junto com o seu filho e oriente a brincadeira para que ela se torne mais segura e interessante.

Nós brincamos sentadas no chão e costumo colocar uma tábua de madeira embaixo da massinha para não grudar.


 
                                         

     


Já repeti essa brincadeira com ela algumas vezes e cada vez que brincamos surge uma novidade. Em uma das últimas vezes peguei ela testando a massinha para ver se ela riscava como o giz de cera:

                                       



Ao ser explorada, essa atividade promove o desenvolvimento de diferentes habilidades: coordenação motora fina (já treinando segurar o lápis), criatividade e a oralidade. Durante a brincadeira você pode cantar músicas, apresentar o nome das cores e formas geométricas.

Dica: Ao terminar a brincadeira, para guardar a massinha faça bolinhas e coloque em um pote com tampa, assim ela não fica dura e você pode reutiliza-la por mais muitas descobertas ;)
                                                  




sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Os Primeiros Educadores - apenas uma reflexão

"Vamos iniciar esta conversa com uma verdade óbvia e indiscutível para qualquer pai ou mãe: nossos filhos são nosso maior tesouro (...) O ato de criar um filho não termina em sua concepção. O ser humano é, de todos os animais, o que mais tempo necessita dos pais para se formar. Podemos dizer assim, com toda a segurança, que a criação continua ainda por muito tempo, até que nossos filhos se tornem independentes e voem sozinhos. Esse processo, essa parte do ato criativo que se prolonga pelos anos afora, é o que chamamos de educação. Educar é uma tarefa que os pais nunca podem transferir integralmente para ninguém." 
Trecho do livro "O Colégio dos Nossos Filhos - a educação personalizada"de Evandro Fautisno.

Quem foi a sua primeira professora? 

Quando você ouve essa pergunta, logo vem à mente aquela professora da primeira escola que você frequentou. 
A profissão do educador tem uma responsabilidade enorme, o professor é um modelo para o seu aluno, mas antes dele, essa criança teve outros modelos dentro de casa: os seus pais.
Sim, somos os primeiros educadores dos nossos filhos. A criança mesmo indo para a escola muito cedo, já chega cheia de conhecimentos prévios, que são adquiridos em casa e no meio em que convive, ela os concebe através da interação primeiramente com seus pais.
Você é o principal e mais importante ser humano para o seu filho, em você ele vai se espelhar e admirá-lo.
Quanto ao professor, ele será um parceiro nesse processo.



Indicação de leitura 

Livro: "O Colégio dos Nossos Filhos - a educação personalizada"
Autor: Evandro Faustino - Diretor do Centro Educativo Volare
Editora: Quadrante




terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Será que meu filho só aprende na escola?

Maria Cecília esta prestes a completar um ano e meio, ela cresce a cada dia!
Há cinco meses mudamos de país, viemos para os Estados Unidos para acompanhar meu marido que está estudando.

Aqui eu não posso trabalhar e a escola pública é a partir dos 5 anos de idade.
Procuro sair todas as manhãs com ela para fazer alguma atividade, há muitas opções para a idade dela: brincadeiras e contação de histórias nas bibliotecas públicas, grupos de mães que se reúnem para os filhos brincarem juntos em brinquedotecas e parques, além disso a inscrevi em aulas de música.

Mesmo com essas atividades ela ainda apresenta muita energia para gastar, quando estamos sozinhas em casa. Algumas mães que conheço estão na mesma situação, ficam boa parte do tempo com seus filhos, e já vieram me perguntar: Como eu posso estimular e ensinar o meu filho em casa? 

O inverno aqui está começando, temos longos dias frios pela frente, fiquei agoniada em ver minha pequena com tanta disposição para aprender dentro de casa, e eu sei que posso ajudá-la a crescer brincando e se divertindo! Fico lembrando de quanta coisa legal que eu fazia com os meus alunos com a idade dela, por que não fazer em casa?

Vocês me acompanham nessa caminhada?