domingo, 17 de janeiro de 2016

As Garatujas de Maria Cecília




Há alguns meses atrás, logo após a Maria Cecília completar um ano, estávamos na sala e ela apareceu com uma caneta tampada na mão. Tentou riscar o sofá e achei aquilo muito inesperado, pois ela nunca havia feito isso antes. 
Como ela sabia que a caneta era para riscar? Provavelmente de nos observar, mas também acredito que se expressar através do grafismo é um instinto natural do ser humano, estão aí as escritas e desenhos nas cavernas para comprovar.

Bom, eu como uma mãe pedagoga neurótica t
ratei de comprar muitos papéis e giz de cera para ela explorar o mais rápido possível.
Na primeira vez que abri o bloco de papel e entreguei o giz na mão dela, ela passou a riscá-lo como se já fizesse aquilo há muito tempo. Foi então que ela começou a criar suas primeiras garatujas, ou seja, os seus primeiros traços.





Depois disso, a Maria Cecília tem desenhado praticamente todos os dias. Organizei uma sacola com papeis e dentro de uma caixa um kit de giz de cera com várias cores e tamanhos. 
Para bebês e crianças menores o tipo de giz mais adequado são aqueles mais grossos, pois os pequenos seguram o material com maior firmeza e o traçado aparece mais forte. Para as crianças maiores, quanto mais variedade lhes for oferecido, mais amplas serão as descobertas. Aqui em casa, eu disponibilizo para ela algumas variedades:




O estilo de giz que aparece na segunda foto foi uma novidade para mim. Com ele, a criança encaixa o dedo para poder desenhar, mas não sei se pode ser encontrado no Brasil. O giz em formato de ovo esta disponível no Brasil e é uma boa alternativa para explorar com os pequenos.
Durante a atividade, estimulo para que ela explore ao máximo o espaço do papel e conforme vai pegando o giz eu digo a ela o nome das cores.
Quando percebo que o seu interesse pela atividade já acabou, peço para que ela me ajude a guardar todo o material, momento em que também pode aparecer outras descobertas: 





Mas por quê é importante o meu filho desenhar? 
Segue aqui um trecho da educadora e artista plástica Edith Derdyk sobre o assunto:


"Ao desenhar a criança amplia as possibilidades de olhar, observar e do próprio desenhar. Exprime o que conhece de um objeto, a representação mental que tem construída dele no momento em que desenha. O desenho é uma forma de comunicar, expressar e deixar marcas no mundo (...)Quanto mais oportunidades de desenhar forem dadas à criança, mais extensa será sua pesquisa gráfica para que desenvolva seu controle motor, e faça descobertas estéticas acerca de seu estilo pessoal e de sua capacidade de desenhar. A partir da exploração, do exercício, da ação e da pesquisa as crianças fazem suas conquistas gráficas. Sim, os pequenos pesquisam, experimentam TUDO à sua volta, inclusive as possibilidades de desenhar!"


Para adquirir tantas habilidades é fundamental que a criança desenhe livremente. Nós, pais podemos proporcionar momentos preciosos com essa experiência, participar com eles e desenhar junto, pois isso também faz com eles aprendam e ampliem seus traçados.



Essa atividade é de suma importância para o desenvolvimento cognitivo, criativo e motor da criança. Há muito assunto para discutir, por isso não ficarei apenas nesse post. Publicarei ainda muito mais sobre o tema.



Indicação de leitura: 

DERDYK, Edith. Formas de pensar o desenho: Desenvolvimento do Grafismo Infantil. São Paulo. Editora Scipione, 1989.






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